01/01/10

Periplo em Nagoya. Ou em busca de uma liquidacao!

Hoje foi um daqueles dias!!!
Acordei pensando em sair de casa pra comprar umas camisas pra trampar. Geralmente compro-as no Aoki. Essa semana fui numa loja japonesa que eu gosto demais (Takeo Kikuchi). A padronagem das roupas segui os padroes NAO japoneses e as camisas dao certinho pra mim. Geralmente as do Aoki ou qualquer depato da vida dao certo no colarinho e no comprimento das mangas mas ficam super largas, mesmo que eu tenha crescido pros lados nesse ultimo ano. Na TK as camisas sao "coisa fina" mas os precos la nas alturas.
Eis que eles estavam dando 50 por cento de desconto nessas liquidacoes de fim e comeco de ano. Claro que eu aproveitei mas nao foi nada facil!
Pra quem gosta da marca, ou prefere uma roupa mais "bacana", eu aconselho.
Em Nagoya tem lojas nos depatos mais chiques de Sakae mas nao foram nessas lojas que eu botei meus pes. Tem umas lojas do grupo chamadas The shop TK mixpiece e em quase todos os Juscos grandes tem.
Hoje eu fui ate o Jusco do Nagoya Dome. Nao tinha camisa pro meu tamanho entao resolvi ir ate o Jusco Atsuta e depois no Jusco Baycity, no porto. Ate ai tudo bem porque meu programa pra ir ate Gifu ken bichou por causa da neve (la) entao fiquei a ver navios e resolvi gastar sola de sapato. O problema foi que perdi a chave de casa e passei o maior frio do mundo esperando o chaveiro vir me socorrer. A facada tambem foi grande mas nao tive opcao, ja que as duas chaves de reserva estavam dentro de casa.

26/12/09

FELIZ ANO NOVO

Natal passou! Mais um!! Que rapido passa a vida?
Ano que vem faz decada e meia que estou aqui e nao voltei ainda!
Nao me condenem por nao ter ido visitar minha familia. Eles estao bem comigo longe. E eu aprendi muito a importancia deles estando longe. Familia e muito importante ficar longe. Perto demais nao ha rotina que nao mate uma relacao - acredito.
Trampei na vespera e no natal. Natal ja nao tem signficado pra mim. Acredito em Deus e ponto final. O resto da historia fica a cargo da imaginacao de cada um.
Ano novo sim! A data mais importante e que mais mexe comigo. Epoca de lembrancas e esperancas. Ja nem espero muito porque o mais importante e a energia que voce capta dessa data pra levar adiante os seus projetos por todo o ano que chega. Se ele chega com forca total, sem pena, sem se atrasar, seja valente e encare com sua maxima forca.
Porisso, muita forca pra todos nesses dias e por todo o ano de 2010.
Sem promessas e grandes festas vou passando meu frio reveillon.

14/12/09

Joguinhos viciantes!!!

O legal do iPhone são os aplicativos e neles se incluem os joguinhos.
Além dos tubinhos cancerígenos me viciei nos joguinhos. Não consigo ir ao banheiro (para o número dois) e não jogar. Às vezes minhas pernas ficam dormentes de ficar sentado!!
Também sempre jogo antes de dormir. Sempre imagino que jogar vai me dar sono e então eu posso pegar rápido no sono. Mentira da minha cabeça porque nunca tive problemas para dormir. Sempre fui muito bom de cama: literalmente eu deito e durmo.
Porém achei uma ótima forma de passar o tempo no trem: jogar. Tudo bem que logo que eu troquei meu aparelho celular por esse aqui, eu tenha me concentrado tanto no jogo que duas ou três vezes eu consegui passar a estação de destino e quase atrasar pra minha aula!
Eita vicio!!!

Você coloca o seu cobertor ou se coloca no cobertor?

Hoje tá bem frio. Tava indo dormir mas a consciência pesou: tinha que escrever antes qu'esse blog moresse de inanição. Agora que pariu, tem que alimentar!!
Estendo meu futon e me meto dentro das cobertas. O que eu mais gosto é esquentar meus pés, jogar um gamezinho básico no iPhone esperando o sono vir. Bem não é essa a razão verdadeira mas acho que viciei nos joguinhos...
Não gosto de colchão então durmo no chão ( ou no futon. Ou será chiki futon??? Futon é o edredon japonês né?!)
Anyway...
Tenho um futon de penas. Ou melhor, dois. Um pro inverno - normal e outro mais fininho, pro verão. Não sei porque cargas d'água eu comprei o primeiro semi double e o outro double. Isso porque durmo a maioria das vezes sozinho!
O legal é que são beem leves mas o problema é que as penas saem e ficam voando pela casa. Detesto fazer souji então costumo conviver com as penas fugitivas por um tempo até criar coragem para passar um aspirador.
Desde pequeno, no Brasil, eu tenho dormido no inverno com futon e cobertor. Lá na terrinha, minha mãe colocava o cobertor sobre o futon. Recentemente eu tenho quebrado essa regra e colocado o futon sobre o cobertor? Fiquei imaginando se havia alguma razão ou explicação prá isso! Futon SOBRE cobertor ou vice-versa?!?!
Ou será que desde que esquente não importa?!!
Vou dormir com mais essa dúvida existencial!!
Boa noite!

08/12/09

Humilhacao 2

Quando eu vim pro Japao, tentei obter informacoes com alguns conhecidos que haviam retornado. Sempre obtive respostas vagas: ah, o Japao e muito bom. Voce se acostuma. O Japao e assim, o Japao e assado... mas nunca fiquei sabendo realmente como era a vida nas fabricas. O que me aguardava.
Hoje, depois de ter ficado tanto tempo dentro das fabricas, sei que aquelas pessoas tinham vergonha do que tinham vindo fazer aqui. Ha 15 anos, o sentimento daqueles que se aventuravam era muito escamoteado, escondido. Creio que seja de vergonha, de ter passado momento que consideravam humilhantes. Lembro ate de uma senhora ligada a minha familia, doutora e tal, que falava que tinha vindo pra estudar, quando na realidade tinha vindo cuidar de idosos. Nunca questionei a posicao dela.
Eu tenho muito o que contar mas me contento em dizer que nunca me senti diminuido ou humilhado por ter pegado tao no pesado. De ter sujado minhas maos e, as vezes, minha alma, de graxa e fuligem e de po. Trabalhar nao e humilhacao mas que tem trampo ferrados aqui... isso tem.
Cuidar de idosos ou doentes parece ser um desses trabalhos dificeis que costumamos ouvir dizer mas nunca refletimos sobre o seu cotidiano. Imaginem um pouco! Lidar com um ser humano, impossibilitado de movimentos, de controle do proprio corpo. Dependente de cuidados de um estranho.
Eu ja me aventurei em limpeza de fabrica. E nao era pegar a vassoura! O buraco era mais embaixo. E muito mais feio!
Hoje eu sou um privilegiado mas ralei muito e tenho uma hernia de disco - superficial mas e minha, adquirida nesses anos de linhas de producao.
A sorte ateu a minha porta e eu atendi. Fiz a minha parte tambem e pra quem quer um conselho: procure pessoas inteligentes e estude e leia e esteja antenado no que acontece ao seu redor. Procure se relacionar com japoneses o mais que puder - eles podem te ajudar a sair dessa. Participe da vida da sua comunidade. Eu estudei japones pra poder me virar desde que cheguei aqui. Com isso - muito pouco, diga-se de passagem, eu consegui sair da fabrica. Mas principalmente resolva a sua vida: Brasil ou Japao?

Humilhacao, vergonha, intolerancia,...

Outro dia assisti uma entrevista com Geraldo Azevedo, no Jo. Eu gosto demais desse programa.
Ele contava sobre as torturas que sofreu e da vergonha que tinha em relatar esses fatos por causa da humilhacao que ele sentia.
Acho que por toda a minha vida eu me senti mais do que humilhado quando morava em Curitiba. Tava voltando pra casa e tres guris fizeram um sequestro relampago comigo. Nunca tive grana e naquela epoca tambem eu vivia do meu parco salario numa loja de roupas e carregava comigo o cartao do banco da conta da minha mae. Levei uns tapas pra soltar a senha do cartao. Um dos pivetes foi ao banco e enquanto isso eu esperava com o C... na mao e um revolver na cara. E ainda ouvia tipo "vou te matar", " ja pensou se eu dou um tiro na sua cara"? Humilhacao e impotencia eram as sensacoes que eu sentia. Eu era a formiga embaixo da pata do elefante. Tudo acabou mas esse trauma eu trouxe comigo pra ca e acho que essa sensacao de seguranca do Japao me incentivou muito a ficar aqui.



Essa foto ganhou o Pulitzer de fotografia sobre a guerra no Vietnam.
Sobre a humilhacao que o Geraldo Azevedo diz ter sofrido foi nos poroes da ditadura, um daqueles momentos sangrentos da historia brasileira. Nao viviamos uma guerra mas um momento de incompreensao, intolerancia, muita violencia, sangue e vergonha daquelas autoridades!

Primeira aula

Fazer a primeira aula e sempre chato. So quando o aluno se sai bem que a coisa fica divertida.
Minha escola tem um metodo proprio e isso ajuda muito o professor - eu! ainda bem.
Nao tem o stress de ter que preparar material. As coisas estao bem feitas e prontas. Pego os livros e pau na jaca.
Hoje foi o primeiro dia de uma nova aluna. Casada com um japa que esta indo trampar no Brasil. Uma empresa japa com filial no Brasil. Constroem maquinas. Coisa fina e grande
Acho que o pais esta se modernizando e espero que abram as portas pra tecnologia japa . Quem sabe assim eu tenho mais trabalho.
Gosto do que faço mas sinceramente dar a primeira aula nao e a coisa mais divertida do mundo. O aluno t'ali cru. Nao sabe quase nada - um obrigado e um bom dia. Contar ate dez - as vezes encontro alunos assim.
O que mais gosto e o desafio de ensinar. De conseguir fazer eles falarem a nossa lingua que considero uma das mais bonitas do mundo. Sem as frescuras e os biquinhos do frances. Sem as mil e umas tonalidades do mandarim, que parece ter milhares de acentos pra mesma silaba. Sem querer puxar a sardinha pro meu lado - o portugues bate o espanhol e o italiano - que parece que precisa usar as maos pra falar.



E em se falando de italiano... Hoje eu jantei com uns amigos e uns professores japoneses da universidade - nao sei qual. Talvez Nagoya Daigaku (daigaku = universidade). Um professor estava contando que antigamente no Japao, assim como no Brasil hoje, o servico militar era obrigatorio. Pra fugir dele, alguns japas bebiam shoyu (molho japones) e ficavam doentes. Nao me pergunte do que mas acho que por causa do sal do shoyu.
Ele tambem comentou que o exercito italiano nao era muito forte porque os italianos eram muito akarui (extrovertidos) e gostavam muuito de conversar e porisso nao eram muito disciplinados.
Eu emendei e falei que achava que os brasileiros tambem nao eram porque era herança dos italianos que foram pro nosso pais.